terça-feira, 8 de maio de 2007

SOL, A ESTRELA DE UM GRANDIOSO ESPETÁCULO

Por Alfredo H. Gálvez (licenciado em Turismo) e Carlos H. A. Andrade (astrônomo)

Turistas do mundo inteiro tem um destino em comum durante a segunda quinzena do mês de Junho: Cusco, a antiga capital do fabuloso Império Inca, localizada nos Andes peruanos, à 3.400 metros de altitude.
A Festa do Sol, que segundo alguns arqueólogos é “a mais importante e esplêndida festa de toda a América pré-colombiana”, acontece em um local privilegiado dentro do Parque Arqueológico de Sacsayhuamán, considerado por muitos especialistas como uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, situado à 3 quilômetros do centro de Cusco, e com fácil acesso à pé ou de microônibus.
A festa lembra os rituais religiosos realizados pelas civilizações Incas, que tinha o Sol como Deus supremo. Profundos conhecedores de diversas áreas do conhecimento humano, principalmente de Astronomia, a ciência do céu, os soberanos Incas escolheram inicialmente a data de 24 de Junho para comemorar - uma vez que é nesta data que acontece no hemisfério Sul um fenômeno astronômico conhecido como Solstício de Inverno. Nessa data, agradecidos pelas colheitas que realizaram durante os meses anteriores, os antigos Incas vestiam-se à caráter, caminhavam em procissão até seus locais sagrados e rendiam sacrifícios e rituais ao astro-rei. Das vísceras de uma lhama um feiticeiro realizava previsões para o ano vindouro, principalmente ao Sapa Inca (o imperador supremo do povo Inca).
Havia ainda o desfile de grupos com estandartes simbolizando as várias comunidades Incas do interior de Cusco e de outras localidades mais afastadas, uma vez que o território Inca abrangia países como Bolívia, Argentina e Chile, por exemplo.
Num misto de ritual sagrado e festa, o imperador oferecia ao deus Sol o coração do animal sacrificado, pedindo boa prosperidade para seu povo nas futuras colheitas, como também nas guerras, que vez por outra aconteciam.
No passado, as cerimônias que compunham a festa aconteciam na grande Huacaypata (atual Praça das Armas), no coração da cidade de Cusco. Atualmente os moradores locais se baseiam nos “queros” (vasos incaicos com desenhos de vestimentas Incas) para criar suas roupas, uma vez que após a conquista espanhola, até mesmo a moda utilizada foi adulterada.
Sobre o objetivo da Inti Raymi, o cronista Inca Garcilaso escreveu: “Era uma festa ao Sol, em reconhecimento pela sua proteção e ajuda, bem como que um culto religioso exaltando o astro rei como o único e universal deus, que com sua luz e poder, criava e sustentava todas as coisas na Terra...”.
A festa era realizada também, na mesma data, em outros locais sagrados do império, como por exemplo, nas Intihuatanas (pedras sagradas espalhadas ao redor de Cusco) e nas Huacas (centros cerimoniais).
Após a conquista espanhola, muito da Inti Raymi original foi alterado, começando pela data, que hoje é realizada por diversos dias, geralmente entre 21 e 29 de Junho. O aspecto de um agradecimento ao Sol, e de um registro astronômico de seu retorno às latitudes austrais, se perdeu substancialmente após a derrota do povo Inca pelos colonizadores europeus, que quizeram (e conseguiram) impor seus costumes, religião e cultura aos sofridos sobreviventes Incas.

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