quarta-feira, 11 de abril de 2007

ARQUEOASTRONOMIA

por Eduardo Pérez Remán (antropólogo) e Carlos H. A. Andrade (astrônomo)

A Arqueoastronomia (o estudo dos vestígios arqueológicos e sua relação com a Astronomia) é uma ciência relativamente nova e que abre uma porta para além dos labirintos da história da humanidade. Pode ser considerada parte de um despertar do conhecimento dos historiadores e dos especialistas acadêmicos, já que as capacidades – tanto intelectuais como tecnológicas – dos povos foram demasiadamente subestimadas.
No afã de encontrar as marcas dos nossos ancestrais para entender nosso passado, a história tem sido dividida em duas etapas: antes e depois da linguagem escrita. Sem dúvida que este conceito segue parâmetros que se perdem nas provas limitadas e no pouco que investigamos sobre as épocas remotas. Cada descoberta que ilustra nossa memória histórica clareia por um lado algumas questões, ao mesmo tempo que nos submerge no vasto acervo do conhecimento, onde cada vez que se aprende algo novo, se multiplicam as possibilidades de se saber mais.
Uma grande quantidade de monumentos e palácios cerimoniais da antigüidade são hoje testemunhos da grandeza dos povos que os construíram. Nessas surpreendentes estruturas arquitetônicas, os povos antigos moldaram sua história e sua religião, seu conceito do tempo e do espaço, sua sabedoria em terrenos como a Matemática, a Geometria, o planejamento urbano, e o seu vasto conhecimento dos astros e dos movimentos celestes. A idéia do céu como parte do reino sagrado onde habitam os deuses esteve sempre presente no pensamento dos construtores desses monumentos. Eles se aperceberam das posições particulares de alguns astros e com uma interpretação religiosa, dedicaram seus centros cerimoniais a certas deidades associadas com as estrelas ou com alguns movimentos celestes.
Tanto os construtores de Stonehenge na Inglaterra – que há 5 mil anos incorporaram um sistema de predição dos eclipses – como os da pirâmide de Giza (Egito) se esforçaram ao máximo para alinhar e edificar seus monumentos de tal modo que funcionaram com precisão como observatórios astronômicos. Esta prática ancestral deixou marcas por todo o mundo: Machu Picchu, Nazca e Ollantaytambo no Peru, Tiahuanaco na Bolívia, Baalbeck no Líbano, Malinalco no México, etc.
Na península de Yucatán há notáveis locais sagrados desse tipo. Na majestosa pirâmide de Chichén Itzá, onde se pode observar nas escadarias, nas passagens equinociais, o fenômeno de luz e sombra conhecido com “A descida de Kukulcan”; Tulum é um curioso centro cerimonial cercado por um muro, situado em frente ao mar do Caribe, onde se encontram diminutos edifícios em forma cúbica que contrastam assombrosamente com as suntuosas pirâmides e palácios. Hoje se sabe que esses “quartinhos” eram pequenos observatórios, onde se seguia, através de furos no teto, a passagem de determinados corpos celestes; na porta do “Templo das Sete Bonecas”, em Dzibilchaltúm, formoso e aprazível sítio próximo da cidade de Mérida, se pode ver marcas destinadas à observação dos equinócios.
Para poder se integrar à visão dos construtores desses templos/pirâmides/calendários/observatórios, é necessário usar diversas ferramentas, como a Arqueologia, a lingüística, a história das religiões, a Astronomia, enfim, todas as ciências humanas.
A Arqueoastronomia tem a virtude de alimentar-se de todas. Confirma que a construção desses edifícios fabulosos não se deu por sorte e nos permite vislumbrar esse universo escondido das grandes civilizações desaparecidas.
Os construtores dessas cidades já não existem, porém seus relógios ainda estão em movimento.

Um comentário:

Márcio disse...

Ainda nem tive tempo de ver o site direto. Peguei o link no mochileiros.com, mas o tema me interessa demais. Parabéns.

Adiantando, vocês têm material sobre a Tawa-Chacana (cruz andina)?
Consegui alguma coisa na internet, mas gostaria de novas referências.
´
Abraços